“Às vezes, quando uma criatura morre, o espírito dela parte em busca de outra pessoa para habitar… Makepeace é uma jovem valente, com um passado misterioso, que aprendeu a se defender dos fantasmas que tentam possuí-la à noite. Um dia, um acontecimento terrível faz com que ela baixe a guarda. E agora há um espírito dentro dela.
O espírito é indomado, bruto e forte, e pode ser sua única defesa quando ela é enviada para morar com os parentes ricos e poderosos de seu pai. Há rumores de que uma guerra civil pode eclodir, e eles precisam de pessoas como ela para proteger um segredo sombrio de família. Enquanto planeja sua fuga e resolve partir para um país assolado pela guerra, Makepeace precisa decidir o que é pior: a possessão ou a morte.”

Editora: Darkside
Autora: Frances Hardinge
Ano da 1ª publicação: 2017
Ano desta edição: 2020
Gênero: Ficção histórica
Páginas: 439
Makepeace era uma menina muito especial, não apenas porque era uma criança adorável, mas porque suas habilidades eram como nenhuma outra. Ela podia “hospedar” os espíritos de seres que faleceram. Tal habilidade, além de prodigiosa em uma criança tão pequena, era preocupante. Por isso, a mãe de Makepeace buscou abrigo na casa de parentes, em um vilarejo puritano chamado Poplar e batizou-a com o nome “Makepeace”, como uma forma de poderem se misturar aos humildes moradores daquele local.
A mãe da menina não poupou esforços e, apesar de seus métodos serem questionáveis, obrigava a todo custo que a menina desenvolvesse sua habilidade mental como um escudo, uma forma de proteção para que nenhum espírito pudesse se apossar dela. A pequena não entendia as atitudes que a responsável por ela tomava, não compreendia o perigo que ainda iria enfrentar e, por essa razão, ressentia-se pela forma como era tratada. Durona, a mãe forçava Makepeace a passar a noite no cemitério para fortalecer sua mente. Não apenas sentia-se ignorada pela mãe, a criança não sabia nada sobre o pai - uma figura ausente e misteriosa desde seu nascimento. A mãe negava-se a revelar qualquer informação que pudesse servir de pista para entender sua origem e quem era o pai.
Conforme ia crescendo, tornava-se cada vez mais rebelde. A mãe não compreendia a mudança na personalidade da filha, mas não mudou sua forma de agir, pensando sempre no futuro da menina. Até que um acidente mudou tudo. Revoltada com a mãe, certo dia, Makepeace fez uma tentativa de fugir em busca do pai. Mal sabia ela que se dirigia ao local em que uma manifestação contra o rei estaria acontecendo. No meio da confusão, a mãe da pequena é atingida por um golpe mortal. Percebendo que não poderia se salvar, afasta a filha de maneira brusca e as duas se separam. Makepeace nunca mais viu a mãe com vida.
Sem entender o porquê da mãe ter rejeitado o seu auxílio, a menina sofre internamente com a sensação de culpa. Pensava que a mãe a odiou em seus últimos momentos, pois fora ela quem a fez entrar no meio da multidão revoltada. Sentia que a morte da mãe fora responsabilidade dela, e não se perdoava. À noite, um espírito a procura, e, certa de que era a mãe, mas amedrontada com a situação, uma batalha mental é travada e a jovem fica traumatizada.
Ela então decide partir em busca do espírito da mãe, para entender tudo o que acontecera e pedir desculpas pela sua participação na fatalidade que acometeu sua protetora. Nessa busca, Makepeace encontra o espírito de um urso e, sem saber, permite sua entrada. Ela e o urso agora são um e, bruto e indomável, ele se torna sua força e sua proteção. Enquanto a presença do animal era uma incógnita, trejeitos ferozes acometiam a pequena e, assustados com o que presenciavam, os parentes da mãe de Makepeace partem a procura dos parentes do pai da criança. Até que acham. E ela é levada para a fortaleza de Grizehayes que abrigava os Fellmotes, um clã rico e extremamente poderoso.
Makepeace descobre que é uma filha bastarda, que tem um meio-irmão bastardo, e que o seu avô - líder do clã - a quer para algum motivo sombrio. Sua vida passa a ser cheia de incertezas, mas apenas algo era certo: ela precisava escapar daquele lugar antes que fosse tarde demais.
Makepeace torna-se ajudante de cozinha e seu irmão - James - é um rapaz de companhia dos jovens senhores Fellmotes. Ambos, durante toda a infância e o início da adolescência, armaram planos de fuga e tentativas de escapar da fortaleza. Sempre eram capturados e levados de volta para Grizehayes, enfrentando terríveis castigos pela afronta.
A menina sabia que tinha algo de errado com aquela família, mas não sabia o que era. Nem todos, mas grande parte de seus integrantes tinham as mesmas habilidades que ela, incluindo James. Makepeace ainda tinha seu passado envolto em mistério: por que a mãe fugiu daquele lugar quando engravidara e a levou até um vilarejo puritano para criá-la escondido de tudo e todos? O que tinha de errado com os Fellmotes e por que todos eles traziam a sensação de morte por onde quer que passassem?
A solidão se aprofunda quando James foge sozinho e a deixa para trás com uma promessa vazia de voltar para resgatá-la. Os doutos, como os habilidosos da família eram chamados, procuravam um novo hospedeiro e a única disponível no momento era Makepeace. Ela precisava escapar antes que eles a forçassem a ceder espaço para os espíritos de seus ancestrais e não restasse mais nada dela além de uma casca vazia. Ela precisava fugir.
Então, aproveitando-se de um momento de caos, ela escapa com o anel de uma das anciãs da família. Fingindo ter sido enviada com uma mensagem ao rei, a jovem se une a outras duas mulheres espiãs a serviço da coroa e parte em direção a Londres. Em meio a toda a sua confusão familiar, a Inglaterra encontrava-se em uma guerra civil (1642-1649) - conflito que surgiu entre o rei Carlos I e o parlamento liderado por Oliver Cromwell.
Apenas o rei sabia das habilidades da família e, agora, um adversário interno ameaçava colocar o segredo dos Fellmotes em risco. Sendo assim, ela precisa enfrenta uma cidade infestada pelo tifo epidêmico, fantasmas que a possuem e a perseguição implacável dos Fellmotes que, a todo custo, buscam capturá-la para forçá-la a receber os espíritos dos antepassados da família, tudo isso enquanto buscava reencontrar o irmão e salvá-lo do mesmo destino.
Makepeace precisará enfrentar o passado, seus medos, a revolução inglesa e entender sua origem e a história da família se quiser sobreviver não apenas fisicamente, mas mentalmente e espiritualmente.

Uma obra surpreendente que mescla ficção e história de maneira inacreditável. É quase como se os acontecimentos narrados pudessem ter de fato acontecido.
Apesar de ser ambientado nos anos da revolução inglesa, esse não é o foco principal do livro. Frances Hardinge consegue utilizar esses recursos ao seu favor para que a história progrida de maneira fluída e natural. Trabalhando o fantástico, a autora nos faz simpatizar com a protagonista e, com ela, vamos aprendendo os segredos que ceram os Fellmotes e as atrocidades que cometeram com o passar dos séculos, além da influência que eles demonstram ter.
Sofremos, rimos, tememos e comemoramos com os eventos que sucedem na vida de Makepeace, observamos ela enfrentar seus medos e ultrapassar os obstáculos que ocultavam seu potencial. Por vezes nos irritamos com a ingenuidade dela, mas nos surpreendemos com sua esperteza e habilidade de estratégia… Enfim, realmente adentramos na história e a vivemos.
Quer se emocionar e embarcar em uma aventura cheia de drama, suspense e horror? As Crônicas das sombras é perfeita para você!
Ficou curioso para saber se Makepeace conseguirá derrotar os Fellmotes, reencontrar o irmão e dominar suas habilidades? Leia e me conte o que achou ;)
Frances Hardinge

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