O Rouxinol

'“França, 1939: Vianne Mauriac se despede do marido, que ruma para o front. Logo chegam tanques, soldados em marcha e aviões nazistas que despejam bombas sobre inocentes.

Quando o país é tomado, um oficial de Hitler requisita a casa de Vianee, e ela e a filha são forçadas a conviver com o inimigo. Todos os seus movimentos passam a ser vigiados, e Vianne é obrigada a colaborar com os invasores para manter a família viva.

Isabelle, irmã de Vianne, é uma jovem que leva a vida com furor intensidade. Enquanto muitos fogem dos terrores da guerra, ela se apaixona por um guerrilheiro e decide se juntar à Resistência, arriscando a vida para salvar os outros e libertar seu país.

Seguindo a trajetória dessas duas grandes mulheres e revelando um lado esquecido da História, O Rouxinol é uma narrativa sensível que celebra o espírito humano e a força das mulheres que travaram batalhas longe do front.

Separadas pelas circunstâncias e divergentes em seus ideais, as irmãs têm um tortuoso destino em comum: proteger aqueles que amam em meio à devastação da guerra - e talvez pagar um preço inimaginável por isso.”

Informações:

Editora: Arqueiro

Autora: Kristin Hannah

Ano da 1ª publicação: 2015

Ano desta edição: 2021

Gênero: Romance histórico

Páginas: 536

“Ela estava sozinha e não havia ninguém mais no comando, somente os nazistas.”

Durante a Primeira Guerra Mundial o terror assolou a vida de homens e mulheres, e as crianças cresceram com o trauma das perdas e daqueles que retornaram com vida, porém com o coração e a mente fragmentados. Vianne e Isabelle faziam parte dessas crianças. Elas viram o pai carinhoso e amoroso ir para o front e retornar ao final completamente diferente, mais endurecido, mais inalcançável. A mãe era o elo da família, porém após uma grave doença, a qual ela não resiste, as meninas de 14 e 4 anos, respectivamente, são largadas pelo pai com uma governanta em uma das casas da família que ficava no interior.

Vianne ignora o desprezo do pai e encontra companhia em sua melhor amiga, Rachel, e o rapaz por quem se apaixonara, Antoine. Isabelle, por outro lado, ainda tão nova, sofre a perda não só da mãe e o abandono do pai, mas a indiferença da irmã mais velha que não sabia lidar com sua carência de afeto. As personalidades e temperamentos das irmãs não poderiam ser mais diferentes: a primeira sendo mais calma, passiva e racional; a segunda sendo mais determinada, impulsiva e voluntariosa.

Quando a Segunda Guerra Mundial dá os seus primeiros indícios, Vianne ignora a situação e continua vivendo sua vida como se nada estivesse acontecendo. Isabelle, por outro lado, percebe o perigo que se aproxima e se mantém alerta aos inimigos que começam a invadir sua terra natal. Em maio de 1940 os nazistas invadem a França, conquistando Paris. A mais nova, que até então vivia uma vida frívola, percebe os sinais, observa os líderes políticos fugirem e esconderem os tesouros do Louvre, nota o êxodo dos parisienses e, obrigada pelo pai, junta-se ao povo que está fugindo para a Zona Livre.

Durante a caminhada, a população é atacada por bombardeios aéreos. Isabelle fica ferida, porém junta-se a um rapaz chamado Gäeton, que a auxilia durante toda a jornada até a casa de sua irmã mais velha. Enfrentar os inimigos, a dura caminhada e os riscos de vida fazem com que os dois se aproximem; e a jovem se apaixona por ele. Contudo, Gäeton a deixa na casa da irmã e vai embora sem se despedir - ele tinha noção do preço que seria pago no decorrer daqueles anos sombrios que estavam por vir e, portanto, junta-se a um grupo de guerrilheiros. Isabelle também queria se juntar, mas sua imaturidade a impedia.

A situação piora quando o marido de Vianne, pouco antes da cunhada chegar, é chamado para o front de batalha em Paris. Não demora muito e um nazista, Beck, se aquartela na casa deles. A irmã mais nova não esconde sua revolta e desprezo pelo inimigo, mas a mais velha a repreende sempre por suas atitudes, colocando-se como uma barreira entre a irmã e o homem, preocupada com o que poderia acontecer a ela e a filha, Sophie. Enquanto isso, o marido de Vianne, Antoine, é feito prisioneiro de guerra assim como o marido de Rachel.

Sem conseguir suportar ficar parada apenas observando os alemães dominarem o território, controlarem suas vidas e consumirem toda a sua comida deixando apenas os restos para os franceses, Isabelle parte de volta para Paris e volta a morar com o pai - essa partida dela tinha uma motivação importante: ninguém notara, mas ela havia conseguido se juntar a um grupo da Resistência e entregava panfletos que revelavam os verdadeiros acontecimentos da guerra. O grupo agora tinha uma nova missão para ela, entregar bilhetes com informações importantes entre os grupos de guerrilheiros - afinal, quem desconfiaria de uma jovem bonita?

“Como posso começar pelo começo, quando só consigo pensar no fim?”

Isabelle, com a ajuda do grupo ao qual se juntara, em meio as suas entregas secretas, encontra diversos pilotos americanos, britânicos e canadenses que caíram durante suas missões ou eram prisioneiros que conseguiram escapar. Ela decide arriscar sua vida ao ajudá-los a sair do território francês. Colocando suas cabeças para pensar juntas e usando seus conhecimentos de pessoas confiáveis, o grupo bola uma rota de fuga pelos Pirineus até o território espanhol, e de lá até o consulado britânico que os levaria em segurança para o território inglês.

A jovem arrisca sua vida e se torna conhecida pelo codinome “Rouxinol”, sendo perseguida pelos nazistas que a todo custo tentavam descobrir quem era o tal “Rouxinol” que estava auxiliando os Aliados.

Vianne por outro lado continua a sua vida pacata, trabalhando como professora, com o nazista aquartelado em sua casa. Certo dia, ele solicita o nome dos professores judeus, comunistas, homossexuais e ela entrega uma lista com todos, inclusive sua melhor amiga Rachel, que era judia. No dia seguinte, todos que estavam na tal lista são demitidos. A culpa a corrói, mas o estrago já estava feito. Não muito tempo depois, um policial francês prende um outro professor na escola, condenado por ser da oposição. Vianne questiona a situação e, por isso, também é demitida. Sem emprego, ela passa a ser sustentada pelo nazista. O romance entre os dois é crescente, mas chega a um abrupto fim.

Isabelle em uma de suas missões de salvar os pilotos Aliados, leva um deles até o celeiro da casa da irmã para escondê-lo até que fosse seguro levá-lo a outro local. Ele estava ferido e não resiste. Beck, que fora designado a encontrar esse piloto fica transtornado ao não conseguir achar nenhum vestígio do homem. Ele desconfia que o piloto fora escondido no celeiro da casa e, quando chega lá e abre a porta, Vianne o acerta com uma pá na cabeça e Isabella o atinge com um tiro, recebendo um de volta.

O nazista morre e a jovem precisa ser retirada do local em sigilo com o corpo do piloto. Em um esquema perigoso, Gäeton consegue salvá-la com o apoio dos amigos guerrilheiros. Vianne precisa seguir em frente, ainda que com arrependimento pela forma como tratou a mais nova durante toda a sua vida, pois com o “desaparecimento” de Beck, outro nazista decide se hospedar na casa. Não apenas isso, mas agora os judeus estão sendo presos e deportados para os campos de concentração da Alemanha; entre eles está Rachel que, em desespero, pede para que a amiga proteja o filho mais novo, Ari. Agora com o nome de Daniel, a história é que ele era o filho de uma falecida prima de Antoine. Isabelle por outro lado, continua dando o melhor de si para ajudar os Aliados.

Com as progressivas derrotas dos nazistas, a violência escala e Vianne precisa se manter firme. O alemão que agora está na casa abusa mentalmente, fisicamente e sexualmente dela, que aguenta tudo calada para proteger os filhos. Depois de tudo que vira e sofrera na guerra, a mulher decide tomar uma atitude e, com a ajuda das freiras, consegue salvar diversas crianças judias levando-as para o orfanato e fazendo documentos falsos para elas. Em Paris, durante uma de suas travessias pelos Pireneus, Isabelle é capturada pelos alemães que buscam encontrar o famoso “Rouxinol”. Eles a torturam querendo informações, mas ela se mantém calada buscando proteger os amigos; além disso, quem acreditaria que o “Rouxinol” era uma garota?

O pai das meninas, querendo proteger a filha que sempre rejeitara, se entrega, tomando para si a identidade. Ele é fuzilado e Isabelle é levada para um campo de concentração de inimigos políticos. Ela passa por diversas situações desafiadoras, inclusive contraindo doenças. No vilarejo de Vianne, os inimigos começam a bater em retirada, os Aliados ganharam a guerra, os presos são libertos e Antoine volta para casa sem saber que a esposa agora guarda um segredo.

Infelizmente, muitos amigos morrem, mas Isabelle consegue sobreviver ao campo de concentração e retornar para casa, e, enfim, rever o seu amor: Gäeton. Tudo o que eles querem é viver uma vida calma, feliz, em paz; a guerra acabou, afinal. Mas, mesmo que o pior já tenha passado, as consequências ainda perduram e perdurarão por muito tempo. É necessário ser forte para seguir em frente com as perdas e os traumas, para não deixar que os momentos ruins destruam tudo de bom que ainda existe, para reconhecer que atitudes corajosas podem salvar vidas e mudar toda uma geração.

Nem todo final feliz é de fato um final feliz…

“No amor, nós descobrimos quem desejamos ser; na guerra, descobrimos quem somos.”

Precisamos lembrar, nunca esquecer.

Esse livro foi uma belíssima surpresa para mim. Inicialmente pensei que o narrador fosse uma pessoa e me surpreendi com o final ao revelar ser outra pessoa. A narrativa vai do presente para o passado e vice-versa em uma dinâmica de flashbacks que ativam continuamente a curiosidade do leitor para entender o que aconteceu com cada um dos personagens principais.

A narradora relembra os eventos do passado e tudo o que viveu com a irmã durante a Segunda Guerra Mundial enquanto aceita que sua morte está próxima e decide revisitar uma vida que tentara há muito apagar.

Ela recebera um convite para um evento que homenagearia as pessoas que contribuíram com os Aliados na derrota da Alemanha Nazista e, agora que o fim está chegando, resolve comparecer e mostrar uma versão diferente de si mesma para o filho, a versão verdadeira.

Por diversas vezes durante a leitura senti-me conectada com a personagem Isabelle em certas situações da sua vida e em como ela via o mundo, de igual forma criei certa antipatia por Vianne pelo fato dela tratar com desprezo os alertas que a mais nova dava e ignorar os conselhos que recebia, por achar que sabia mais, por sempre colocar a culpa na irmã e pensar apenas em si mesma.

Imagino que em tempos difíceis muitos queiram “limpar a própria barra” e proteger a si e aos seus, mas também gosto de pensar que ainda mais pessoas fariam tudo que estivessem ao seu alcance para ajudar ao próxuimo, para salvar a maior quantidade de pessoas possível, mesmo que isso colocasse sua vida em perigo.

Se não fazemos nada, se não damos o melhor de nós, se ficamos apenas parados olhando, testemunhando, passivos, será que isso nos torna diferentes do abusador?

Essa é uma leitura densa e que traz diversas reflexões que ainda são muito atuais, que nos faz olhar para os acontecimentos do mundo e pensar: o que estamos fazendo para ajudar? O que estamos fazendo para contribuir com o bem?

Se você gosta de temáticas de guerra, romance histórico e reflexivo, essa obra é perfeita para você. Kristin Hannah sabia o que estava fazendo ao escrever esse livro fictício, mas muito real.

“Por causa deles, agora sei o que é importante, e não é o que eu perdi. São as minhas lembranças. Feridas cicatrizam. O amor perdura. Nós continuamos.”

Kristin Hannah

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