Diva

“Médico recém-formado, Augusto Amaral salva a jovem Emília de uma enfermidade que quase a leva à morte. Dois anos depois eles se reencontram. Ela não é mais a garota tímida e retraída de quem cuidou. É uma moça extremamente encantadora, a mais bela da corte, uma diva que inspira nos rapazes inúmeros galanteios. Rodeada de pretendentes Emília tem olhos para todos… menos para Augusto.

Considerado um dos grandes patriarcas da literatura brasileira, pelo volume e mensagem de sua obra, nesta narrativa, José de Alencar faz uma investigação psicológica da vida de uma mulher, a personagem central do romance, com tal intensidade, que nos instiga a cada página.”

Informações:

Editora: Principis

Autor: José de Alencar

Ano da 1ª publicação: 1864

Ano desta edição: 2021

Gênero: Romance regionalista

Páginas: 111

“Ela criara o ideal da Vênus moderna, a diva dos salões.”

A história começa com Paulo - o narrador de Lucíola - enviando uma carta para G. M. junto a um manuscrito para ser publicado como livro (um outro perfil de mulher, afirma). Ele explica que há alguns anos conhecera um rapaz chamado Augusto. O jovem estava seguindo em direção à Europa para aprofundar seus estudos e experiência médica após o tratamento bem-sucedido de sua primeira paciente.

Os dois rapidamente formam uma amizade que duraria longos anos. Cada um segue seu caminho, porém mantém contato trocando cartas e correspondências frequentemente sobre suas vidas e aventuras. Entretanto, Augusto, inesperadamente, para de responder Paulo, que fica por muito tempo sem notícias do amigo.

Tempos depois é revelado o motivo: Augusto, após retornar da Europa, vivera um romance arrebatador, e sua vida na sociedade da época o mantivera ocupado e preso às expectativas impostas sobre ele em suas relações. O jogo dos salões era imperdoável. É então que a história de fato se inicia. Todo o enredo se desenrola no ponto de vista de Augusto. A história é contada através da carta que este enviara a Paulo.

Augusto conhecia Emília desde a infância devido a sua amizade com o irmão mais velho dela. O protagonista revela que a menina parecia um patinho feio, uma flor antes de desabrochar: seu porte e sua futura beleza davam indícios de sua existência apesar de ainda ser desengonçada e, aparentemente, sem graça. Um verdadeiro bicho-do-mato. A moça era criada pelo pai e pela tia, sua mãe havia falecido quando ela ainda era criança, porém sua influência fortemente religiosa moldou a personalidade puritana da jovem.

Quando Emília tinha 14 anos ficou gravemente doente. Augusto, que era recém-formado em medicina, foi convocado pelo amigo para consultar e tratar dela. Após muitos meses de rejeição por parte da menina que desprezava o rapaz que só queria curá-la e diversas recaídas nas quais a vida dela ficou por um triz, Augusto, enfim, conseguiu reestabelecer a saúde de Emília. Com o apoio da família da moça sempre presente, o jovem médico sentiu-se confiante na carreira que escolhera para si e dedicou tal vitória à medicina.

Feliz por tudo ter terminado bem, Augusto recusa qualquer pagamento vindo da família de Emília e decide viajar para a Europa, para aprofundar seu conhecimento e aperfeiçoar sua prática. Com a promessa de que se estivesse em apuros buscaria o auxílio do pai de Emília, o rapaz embarca e, durante seu trajeto, conhece Paulo (evento retratado no prefácio da trama).

Augusto passa 2 anos na Europa, sem se dar conta das mudanças drásticas que ocorriam durante esse tempo na jovem a quem cuidara.

“Ainda hoje, depois de tudo quanto sofri, sei eu compreender semelhante mulher?”

Ao retornar de sua viagem profissional e acadêmica, Augusto se encontra em meio aos salões e saraus da sociedade brasileira, aos jogos de romance e expectativas sobre suas relações. É durante um desses eventos que ele reencontra Emília, agora uma jovem de 16 anos, na idade de casamento.

A menina desengonçada, a “patinho feio”, tornara-se uma belíssima jovem, uma verdadeira diva dos salões, encantando a todos que vislumbrassem sua figura. Atraindo olhares por onde quer que passasse, a fila de pretendentes que lutavam por um minuto da atenção da moça parecia interminável e Augusto, admirado com o porte e beleza da pequena que conhecera durante a infância, junta-se a eles a contragosto - mantendo-se sempre a distância, sem querer para si a atenção indesejada de seus rivais.

O problema é que Emília tratava a todos bem, dançava com diversos rapazes e os entretinha sempre que podia, socializava com todos… menos Augusto, a quem desprezava com intensidade. Sarcasmos, ironias e indiretas eram disparados por ela a todo momento em direção ao médico sempre que este se encontrasse por perto. Recusando convites para a contradança e até mesmo saindo do cômodo quando este o adentrasse, a jovem não poupava esforços para demonstrar sua antipatia sem fundamentos pelo rapaz. A família dela, que nada compreendia de ações tão deselegantes, incentivava a todo momento a aproximação dos dois e demonstrava sempre que possível a admiração e o agradecimento por ele ter salvo a vida de Emília no passado.

Apaixonado, Augusto tentou de tudo para ganhar o favor da moça, porém ao receber apenas grosseria em troca, cansou-se e passou a ignorá-la em igual maneira. Em um jogo de gato e rato, a dupla vive idas e vindas de afeto e amizade seguidas de discussões e atitudes rudes. Toda vez que o jovem decidia esquecer aquele amor e, talvez, seguir em frente, Emília passava a tratá-lo com delicadeza e dava indícios de que viria a amá-lo, porém bastava que Augusto se convencesse da reciprocidade dela para que a mesma voltasse a tratá-lo com ignorância. Em certo momento da narrativa, o protagonista compara a forma como a amada o trata ao modo como ela tratava o cachorro - a quem chutava e provocava a ira para depois tratá-lo com chamego, trazendo-o para junto de si, apenas para conquistar a confiança do animal a fim de retornar a desprezá-lo; e assim o ciclo continuava.

Em suas cartas a Paulo, Augusto revela todo o conflito interno que o jogo de sedução da diva dos salões cariocas provocou nele, suas inseguranças e esperanças, seus ciúmes e suas paixões. Em seu último relato, o médico revela que final teve esse relacionamento em meio as conquistas e rivalidades da sociedade do Brasil Império no século XIX.

"A flor, de que ela buscava o mel, não viçava ali, nem talvez na terra. Seria flor do céu?”

José de Alencar mais uma vez entrega tudo que está presente no Romantismo: escapismo, valorização e idealização da mulher, sentimentalismo exacerbado, retratação da sociedade nos salões, o jogo da conquista e tudo o mais que faz desse período literário tão… romântico, vamos dizer assim…

Sua heroínas apresentam personalidades fortes e decididas, mas também idealizadas. Como sempre, a narrativa é curta, mas bem elaborada e fluída, auxiliando o leitor a compreender bem como os relacionamentos da época funcionavam e ambientando-nos nos eventos que vão se desenrolando no decorrer da trama.

Particularmente eu amo as histórias de José de Alencar, um dos meus autores preferidos da minha escola literária favorita, e previamente fiz a resenha de outra de suas obras aqui (Til), apesar de não ter gostado dessa história, títulos como A Viuvinha e Cinco Minutos mantém minha preferência em narrativas de romances regionalistas quando estou em busca de algo leve, mas que me divirta.

Infelizmente Diva foi mais uma das histórias que entrarão para o hall das que eu não gostei, não porque a trama é ruim ou porque os personagens não são envolventes, muito pelo contrário. São tão envolventes que eu fiquei revoltada com o final… Oops!?

Sem spoilers! Se quiser descobrir se Augusto e Emília terão um final feliz ou não (e entender o porquê de eu não ter gostado do final) a resposta é simples: vá ler!

“O amor nasce de si mesmo, de repente, sem que o suspeitem. Se ele viesse quando o chamamos e desaparecesse à vontade, não era o que é, uma fatalidade. Iludiu-se dona Emília. O homem a quem há de amar, a senhora não o conhece, nem o viu talvez. Quando aparecer, não lhe dará tempo de interrogar-se. Seu coração palpitará por si mesmo, e a senhora sentirá que ama, sem saber como, nem quando, começou a amar!”

José de Alencar

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