Ilíada e Odisseia

Ilíada é a mais antiga e a mais extensa das obras atribuídas a Homero e é também o mais antigo texto literário da literatura europeia. O nome do poema deriva de Ílion, nome alternativo da mítica cidade de Troia. Acredita-se que Ilíada tenha sido originalmente uma composição oral, memorizada e recitada em ocasiões especiais, a partir de lendas e de memórias do Período Micênico e da Idade das Trevas. O poema de 5.675 hexâmetros, constantemente citado por filósofos e outros eruditos, exerceu enorme influência tanto na literatura romana quanto na cultura ocidental e descreve apenas um episódio da guerra, com duração de cinquenta e um dias, e com especial ênfase na disputa entre Aquiles e Agamêmnon.”

“Um dos principais poemas épicos a Grécia Antiga, a obra A Odisseia é consagrada ao retorno do rei Ulisses - ou Odisseu -, que durante dez anos enfrentou perigos na terra e no mar até conseguir chegar ao reino de ítaca. Herói da Guerra de Troia, Ulisses ficou preso em uma ilha durante anos, até finalmente partir com seus doze navios e homens, em uma espetacular jornada repleta de obstáculos, para encontrar a mulher Penélope e o filho Telêmaco. A batalha contra o Ciclope, o sedutor canto das sereias e a fúria de Netuno, deus dos mares, são alguns dos episódios fabulosos dessa obra, retratados em versos ao mesmo tempo dramáticos e poéticos.

Como se diz na proposição, A Odisseia é a história do ‘herói de mil estratagemas que tanto vagueou, depois de ter destruído a cidadela sagrada de Troia, que viu cidades e conheceu costumes de muitos homens e que no mar padeceu mil tormentos, enquanto lutava pela vida e pelo regresso dos seus companheiros.’”

Informações:

Editora: Principis

Autor: Homero

Ano da 1ª publicação: séc. VIII a.C

Ano desta edição: 2020

Gênero: Poema Épico

Páginas: 432 e 320

“Deve um guerreiro com firmeza ou ferir ou ser ferido.”

Poema épico de tradição oral, é sabido que a história da guerra de Troia e seus principais guerreiros foi passada de geração em geração até, enfim, ser registrada por escrito. Sendo atribuída a Homero, sua “publicação” é datada do século VIII a.C.

Em Ilíada, observamos a narração de um evento específico que teria ocorrido em meio aos 10 longos anos de batalhas. O conflito entre o guerreiro Aquiles e o rei e líder grego Agamêmnon. Em meio as muitas batalhas que ora favoreciam os gregos, ora os troianos, Menelau, Agamêmnon, Aquiles e diversos outros guerreiros gregos fizeram prisioneiros nas cidades vizinhas a Tróia. Entre esses escravos estava uma jovem chamada Criseida - filha de Crises - sacerdote do deus Apolo.

Como punição ao líder grego, Apolo envia uma doença da qual os homens não conseguiam se curar, muitos vindo a morrer. Preocupados com a queda nos números de seu exército e o problema que isso poderia acarretar durante a guerra com Troia, os líderes e principais guerreiros se reúnem. Aquiles força Agamêmnon a devolver a jovem Criseida para o pai e, envergonhado por receber ordens de um de seus subalternos, o rei decide, então, tomar para si a escrava de Aquiles - Briseida. Por conta disso, o personagem principal de Ilíada se recusa a lutar e retira do exército os homens que estavam sob seu comando, conhecidos como mirmidões.

A história se desenrola com os gregos tentando batalhar contra os troianos sem a ajuda de Aquiles, o que acarreta em diversas vitórias do exército adversário. Em meio a tudo isso, observamos como os deuses gregos interferiam nas decisões dos personagens ao incitá-los contra o povo inimigo ou influenciá-los em suas ações. A presença de Zeus, Atena, Hera, Afrodite, Ares e até mesmo Hefesto, Apolo e Ártemis é reforçada a todo momento.

Por fim, um dos companheiros de batalha mais próximos de Aquiles, Pátroclo, o convence a ceder sua armadura para que ele pudesse batalhar de forma que os outros pensassem ser o principal guerreiro grego e, ao mesmo tempo, este não quebrasse o voto que fizera quando Agamêmnon roubara sua escrava. Nessa batalha, Hector - príncipe troiano - mata o amigo de Aquiles ao confundi-lo por conta da armadura. Consumido pelo luto e pela raiva, Aquiles retorna para a batalha com o objetivo de matar Hector.

O enredo de Ilíada segue apenas até o momento em que a vingança de Aquiles é concluída e, após humilhar o cadáver do adversário, o guerreiro se encontra com o rei Príamo, pai de Hector, que o buscara dentro do acampamento inimigo com o objetivo de reaver o corpo do filho caído a fim de enterrá-lo e realizar os devidos rituais funerários.

“Voltar queres, astuto, em breve aos lares? Embora, adeus. Se as penas antevisses que te aguardam, comigo em laço estreito imortal ficarias.”

A Odisseia por outro lado é, de certa forma, uma continuação da Ilíada, contudo o personagem principal se torna Odisseu - também conhecido como Ulisses/Laércio. Com o fim da guerra de Troia, a cidade fica destruída, seus habitantes são dizimados e os poucos que sobreviveram foram levados como escravos pelos gregos, Menelau e Helena retornam para Esparta e os demais reis e guerreiros embarcam em seus navios, partindo de volta para suas terras. Aqui, no entanto, seguimos a jornada do personagem principal e seus guerreiros no retorno para seu reino, Ítaca.

Odisseu passou 10 longos anos em Troia batalhando e, infelizmente, enfrentaria mais 10 anos de tribulações até que conseguisse colocar os pés em sua terra. Durante todo esse tempo, em Ítaca, a esposa do herói - Penélope - era cortejada por guerreiros e líderes do reino que, acreditando na morte do rei, queriam se casar com ela para subir ao trono e assumir controle de toda a riqueza da casa. Além disso, o filho de Odisseu, Telêmaco, sofria perigo de vida, pois esses mesmos guerreiros e líderes planejavam matá-lo para que não perdessem o poder. Cansado de ver seu palácio ser desrespeitado, o príncipe parte em direção aos reinos vizinhos em busca de notícias do pai, chegando a ir até Esparta e sendo recebido pelo rei Menelau e a rainha Helena.

Enquanto Telêmaco tenta descobrir se o pai de fato morrera ou não, acompanhamos a história do que aconteceu com o herói, narrada por ele mesmo. Após a guerra de Troia, Odisseu e seus homens chegam à terra dos Cícones, onde saqueiam a cidade de Ismaros, mas sofrem perdas em um contra-ataque. Depois, a frota é levada para a terra dos Lotófagos, onde alguns homens provam o lótus e esquecem de seus lares. Em seguida enfrentam o ciclope Polifemo, que devora alguns marinheiros - eles conseguem escapar depois que Odisseu o cega.

Esse é um dos meus episódios favoritos da saga de Odisseu, pois sua solução para o problema foi genial: pouco antes de o ferir, Odisseu tenta fazer um acordo com o monstro, oferecendo o que o herói disse ser “o melhor vinho que já existiu”. Para agradecê-lo, Polifemo questiona o nome do herói que, por sua vez, diz ser “Ninguém”. O ciclope responde que em troca do vinho que ganhara, permitiria que Odisseu fosse o último homem a morrer. O guerreiro, então, elabora um plano para o cegar. No fim, quando os outros ciclopes que ali viviam perguntam a Polifemo quem o feriu, este responde: “Ninguém me feriu”. É uma pena que a genialidade de Ulisses tenha sido superada pela sua arrogância, pois ao fugirem o guerreiro revela seu verdadeiro nome.

Após tudo isso eles vão parar na ilha de Eolo, o deus dos ventos, e Odisseu recebe de presente um odre com ventos contrários que o ajudariam a chegar em casa contanto que não fosse aberto. Ulisses ficou acordado por 9 dias para garantir que ninguém o abrisse, porém - quando estavam quase chegando em Ítaca - o guerreiro cai no sono e seus homens aproveitam o momento para abrir a sacola, liberando os ventos e os afastando de seu reino. Eles são levados para a terra dos Lastrígones, onde a frota é atacada por gigantes canibais que destroem a maioria dos navios e matam muitos homens. Ao fim dessa aventura, Odisseu consegue escapar com apenas um navio.

Eles, então, vão parar na ilha da feiticeira Circe, que transforma alguns homens em porcos. Com a ajuda de Hermes, Odisseu consegue persuadi-la a desfazer o feitiço tornando-se seu amante. Depois disso, o herói desce ao reino de Hades para consultar o adivinho Tirésias sobre como retornar a Ítaca. Após conseguir falar com o oráculo e conversar com os espíritos de diversos de seus amigos que caíram durante e após as batalhas em Troia, Ulisses segue viagem com o que sobrou de seus homens e, assim, passam pela região onde as sereias cantam.

Odisseu tapa os ouvidos de seus homens com cera e amarra-se ao mastro para ouvir o canto sem perigo e descobrir qual o melhor caminho para navegar em segurança. Seguindo as informações que descobriram das sereias, a frota passa por duas criaturas monstruosas: Cila, um monstro de seis cabeças, e Caríbdis, um redemoinho que engole tudo. O guerreiro escolhe passar por Cila, perdendo alguns homens. Ulisses e seus homens vão parar na ilha de Hélio, a tripulação o desobedece e abate o gado sagrado do deus Sol. Como punição, todos os homens de Odisseu que restaram são mortos por um raio de Zeus.

Por fim, o guerreiro é retido na ilha da ninfa Calipso por sete anos, até que é libertado por ordem dos deuses. Odisseu chega à terra dos Feácios e é acolhido por Nausícaa e seu pai, o rei Alcínoo. Ele conta suas aventuras aos feácios e é levado de volta para ítaca por eles. Ulisses chega em seu reino disfarçado de mendigo, reencontra seu filho Telêmaco e, com a ajuda dele, elimina os pretendentes que estavam disputando sua esposa Penélope e restaurando seu reino.

“De tantos funerais foi causa Helena.”

Preciso confessar que o início dessa leitura foi muito difícil. Por ser um poema épico, nem sempre os versos seguirão uma ordem direta na construção frasal. A mistura dos elementos sintáticos confundiu um pouco a minha interpretação e se eu não conhecesse previamente as histórias dos mitos teria uma dificuldade maior para compreender o que se passava no enredo.

Para me auxiliar na leitura, encontrei um site na internet que me indicou os acontecimentos de cada estrofe de cada capítulo. Depois que eu peguei o embalo foi mais fácil. Além disso, no início do ano eu assisti uma série da Netflix sobre a guerra de Troia, o que também me ajudou a associar os eventos da mídia com os da obra.

E olha que coincidência maravilhosa: no mês passado eu trabalhei em sala com o meu 7º ano de redação “Lendas e Mitos”. Na nossa última aula antes do recesso de julho assistimos, por recomendação das minhas alunas, ao musical “Epic”, disponível no Youtube, que aborda os acontecimentos da Odisseia de maneira extremamente criativa e envolvente. Particularmente eu gostei muito e as músicas são geniais.

Não recomendo Ilíada e Odisseia para leitores jovens por ser um texto complexo. Mas se você se interessa pelo assunto e gosta de mitologia grega, assim como eu, pesquisar sobre as histórias relacionadas aos eventos retratados nesse enredo, assistir filmes e séries e ler relatos são uma ótima maneira para se introduzir no assunto e construir o arcabouço necessário para, enfim, compreender essa narrativa clássica e reflexiva. Por exemplo: o debate sobre se a cidade de Troia realmente existiu ou se foi fictícia segue em alta até hoje. No final do século XIX, o arqueólogo Heinrich Schiliemann escavou Hisarlik, na Anatólia (Turquia) e revelou diversos vestígios que comprovariam ser aquele o local onde uma vez existira Troia - apesar dessa afirmação ser contrariada por outros pesquisadores.

Finalizo a resenha de hoje com uma reflexão muito importante que essas histórias nos deixam: até onde um homem está disposto a ir para conseguir o que quer e para chegar onde quer?

“Cumpre que ousado cada qual morra ou vença: é lei da guerra.”

Homero

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