O Médico e o Monstro

“Gabriel John Utterson é um advogado que investiga um caso estranho envolvendo Henry Jekyll e Edward Hyde, inesperado beneficiário do testamento de Henry. O advogado descobre acontecimentos que resultam na reclusão repentina de Jekyll.

O romance que envolve ficção científica, transtornos psicológicos e terror é um grande clássico do gênero.”

Informações:

Editora: Principis

Autor: Robert Louis Stevenson

Ano da 1ª publicação: 1886

Ano desta edição: 2019

Gênero: Ficção científica

Páginas: 94

“Se ele é o sr. Hyde, aquele que se esconde, então serei o sr. Seek, aquele que procura - pensou.”

Na Londres do século XIX, um advogado chamado Utterson vive uma situação incomum: seu cliente e amigo mais antigo escreveu um testamento deixando toda a sua fortuna para um tal de Edward Hyde em caso de seu desaparecimento por mais de três meses. Preocupado com a reclusão e a estranha decisão do homem sobre sua fortuna, Utterson ainda escuta uma história preocupante de seu cunhado, Richard Enfield, que se encontrara por acaso com o tal do sr. Hyde.

Em uma noite escura, uma criança estava correndo pela rua quando trombou com um homem sombrio que vinha na direção contrária. Indiferente à menina, o estranho passou por cima dela, pisoteando-a. Revoltado com o que presenciara, Enfield persegue o desconhecido junto com os familiares da criança e, ao alcançarem-no, exigem reparação pelo dano causado à pequena. Por incrível que pareça, sem demonstrar remorso pela maldade cometida, o homem - identificado posteriormente como Edward Hyde - entra por uma porta dos fundos do laboratório do doutor Henry Jekyll e retorna com um cheque para indenizar a família da menina.

Após tomar ciência desse e de outros acontecimentos sombrios que envolviam o tal sujeito, Utterson decide visitar o doutor e questioná-lo sobre a procedência de seu beneficiário. Muito vago e sem realmente expor nada, Jekyll apenas pede a confiança de seu amigo e advogado e para que faça tudo conforme ele tinha solicitado previamente.

Infelizmente, os acontecimentos e maldades envolvendo Edward Hyde não pararam por aí, na verdade foram apenas escalando em nível de violência até chegar ao ponto do assassinato. Uma criada presenciara pela janela da casa em que trabalhava o encontro de Hyde com um outro homem, observou sua agitação e o momento em que matou o adversário. Assustada, ela desmaiou, porém ao recobrar os sentidos relatou tudo à polícia, que identificou o falecido como sendo um homem importante na política e iniciou suas buscas pelo fugitivo.

Enquanto isso, o doutor Jekyll se afundava no assombro do ato cometido pelo seu “protegido”. Contudo, convencido pela gravidade da situação - e por seu advogado -, decide refazer o seu testamento e seguir o conselho de Utterson, afastando-se de Hyde.

Só que as coisas não seriam tão simples assim…

“Vi o que vi, ouvi o que ouvi e a minha alma sentiu náuseas disso.”

Por um tempo tudo voltou o normal. Doutor Jekyll retomara a socialização com os velhos amigos, organizou jantares e compareceu nos eventos em que fora convidado. A vida seguia como deveria seguir com o estranho desaparecimento de Edward Hyde - que continuava na mira da polícia.

Até que o afastamento, a reclusão e o isolamento retornaram. Mais uma vez Jekyll se afastava do seu ciclo social, um dos amigos que tinham em comum - doutor Lanyon - rompera definitivamente sua amizade com o homem e toda vez que Utterson ia visitar o velho companheiro, era mandado embora pelo mordomo da casa.

As coisas ficaram ainda mais estranhas quando Lanyon caiu de cama e, acreditando piamente em sua morte, encaminhou ao advogado uma carta que só deveria ser aberta em caso de sua morte. Quando o inevitável enfim aconteceu, ele abriu a carta apenas para encontrar outro embrulho lacrado com um bilhete dizendo que só deveria ser aberto em caso de morte ou desaparecimento de Jekyll. Confuso e preocupado, porém rechaçado da presença do único amigo vivo, não havia nada que pudesse fazer para ajudar.

Certa noite, porém, o mordomo da casa de Jekyll chega com pressa na casa de Utterson, pedindo desesperadamente pela ajuda e presença do amigo de seu chefe. Os dois se dirigem para a casa do doutor e, ao chegarem lá, uma cena curiosa os recebe: todos os funcionários da casa reunidos em um único cômodo apavorados! Eles revelaram ao advogado que acreditavam que seu chefe havia morrido, não apenas isso, mas que ele tinha sido assassinado e, agora, o assassino se escondia no laboratório.

O mordomo guiou Utterson até o local e, ao baterem na porta, são recebidos por uma voz que não era de Jekyll - apesar de ter maneirismos semelhantes. Eles bolam um plano para arrombar a porta e capturar o homem que acreditavam ser Hyde.  Entretanto, quando conseguiram concluir seus intentos e adentraram no laboratório já era tarde, o assassino havia tomado uma poção envenenada que o matara. Ao vasculharem o local, descobriram algumas pistas estranhas que nada revelavam os acontecimentos sombrios realizados naquele ambiente. Encontraram alguns envelopes, o novo testamento de Jekyll que deixava toda a sua herança para o amigo e documentos endereçados ao advogado.

Decidido a chegar no fundo daquele mistério, pois o único corpo naquele local era o de Hyde, Utterson resolve retornar para casa e ler com calma os documentos tanto de Jekyll quanto de Lanyon. É então que todo o mistério é revelado. Ao abrir o envelope de Lanyon, ele descobre o motivo da enfermidade do amigo: Hyde fizera uma visita a ele e, ao tomar uma estranha poção, transformara-se em Jekyll, revelando um mistério científico inimaginável. Entretanto, foi apenas quando leu os documentos deixados por Jekyll que realmente compreendeu a profundidade da situação.

Entendendo que o ser humano é composto por um lado bom e um lado ruim, Jekyll teorizava sobre alguma maneira de separar a bondade da malícia. Em seus experimentos, ele conseguiu criar uma poção e decidira experimentar em si mesmo. Foi quando seu corpo físico se transformou e sua nova aparência dava todos uma sensação de deformidade, de monstruosidade. Em sua nova forma, ele era livre para deixar a violência e a corrupção tomar conta e, quando as coisas se complicavam, bastava tomar novamente a poção e retornar para a pacata e respeitável vida que levava como Henry Jekyll. O doutor chamou seu alter ego de Edward Hyde e, a partir daquele sucesso, decidiu continuar com suas incursões maldosas.

Tudo se complicou quando Jekyll transformava-se em Hyde mesmo quando não tomava a poção. De tanto ingerir e realizar a transformação de seu “eu”, ele foi perdendo o controle e, a qualquer momento, poderia aparecer como Hyde. Por vezes ele ia dormir como o médico e acordava com o monstro. Com isso, ele foi se desesperando e, quando seu estoque de sais para fazer a poção estava acabando e ele não mais conseguia encontrar os ingredientes em nenhum boticário da cidade, sua esperança de manter sua vida como era diminuía na mesma medida que seu medo de ser condenado à morte pelo assassinato cometido por Hyde aumentava.

Foi nesse estado de espírito que decidira se trancar em seu laboratório e, com o arrombamento e invasão de Utterson e do mordomo, em uma última tentativa de impunidade, tomara um veneno para acabar com sua aflição terrena.

“A cada dia, e de ambos os lados da minha inteligência, moral e intelectual, eu me aproximava sempre mais dessa verdade, cuja descoberta parcial me condenava a um terrível naufrágio: esse homem não é um, mas verdadeiramente dois.”

Uma leitura rápida e leve, o Médico e o Monstro nos faz pensar nas loucuras e maldades humanas. Até que ponto um homem está disposto a chegar para provar que está certo ou para realizar uma nova descoberta? O que fazer: seguir uma prática segura ou se aventurar pelo desconhecido?

Não apenas isso, mas a história de Jekyll e Hyde, a dualidade do bem e do mal, a mudança na essência do homem também nos faz pensar nos transtornos de múltipla personalidade. Talvez, ainda sem saber sobre o diagnóstico, Stevenson tenha encontrado uma maneira de ilustrar, de forma fictícia, casos assim.

Em um período em que a ficção científica ainda estava se desenvolvendo, nomes como Shelley, Stoker e Stevenson abriram o caminho para futuros autores promissores desse novo gênero e mentes curiosas sobre a essência da humanidade.

Tão curto quanto um conto, se você procura uma obra clássica para se introduzir na leitura de ficção científica, essa história é perfeita para você. É de fato um livro intrigante e que, ao final, deixa um gostinho de “e o que aconteceu depois?”

E o que você acha? O homem é bom, mal ou uma combinação de ambos?

“Assim, foi essa natureza mais exigente das minhas aspirações do que qualquer degradação particular em minhas falhas que me tornou o que eu era e que, como uma trincheira ainda mais profunda do que na maioria dos homens, cortou em mim aqueles domínios do bem e do mal que dividem e compõem a natureza dual do homem.”

Robert Louis Stevenson

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