“Um andarilho, o idílico, os sonhos, devaneios e a solidão. Ilex é o andarilho conhecido por ter salvo algumas pessoas pelo interior do Estado, mas renega qualquer glória. Ele só estava no lugar certo na hora errada. Por isso, segue fugindo, até que se depara com um desafio sem precedentes. Há um grito por socorro que somente ele pode perceber. Será que está pronto para o maior embate de sua existência? Será preciso ter coragem e enfrentar as vozes que catapultam seu corpo à cara do perigo. Ilex precisa aprender a lidar com um poder inacreditável antes que a loucura domine por completo seu ser.”

Editora: ———
Autor: Everton Gullar
Ano da 1ª publicação: 2025
Ano desta edição: 2025
Gêneros: Literatura fantástica
Páginas: 146
Uma história de perda, solidão, sofrimento, redescoberta, superação e seguir em frente sem desistir. Ilex Andaluz vivia uma vida tranquila e normal até sofrer uma perda significativa. Após um momento traumático, ele decide abandonar tudo o que era e tudo o que tinha - sua vida na Cidade - para ir para o campo e se tornar um andarilho, um homem sem casa, sem raízes, sem ninguém, que vivia vagando de vilarejo em vilarejo buscando por algo que nunca realmente conseguia alcançar.
Sua jornada não era nada fácil; com um destino traçado em mente, seguia sua viagem com poucas provisões, dormindo ao relento e passando necessidades. Ainda assim, sua situação precária não o impedia de demonstrar gentileza e coragem quando necessário - tendo resgatado duas jovens e um homem em momentos distintos de aflição. Sua fama acabou se espalhando pelos vilarejos do interior e, por onde passava, atraía olhares curiosos.
Até que certa vez, sem alimentos ou água, encontra uma fazenda que aparenta estar abandonada. O dono, Seu Vanádio, o recebe e o ajuda com o que precisava. É nesse encontro que Ilex descobre que sua história se espalhou pelo território. É um breve momento de repouso para o andarilho. Porém, logo em seguida, as coisas começam a ficar estranhas…
Seguindo seu caminho, passando por um igarapé, o rapaz encontra uma moça - Clora - que estava fugindo de dois homens. Preocupado e sem conseguir ignorar a situação, ele decide segui-la e ajudá-la a despistar seus algozes e escapar de suas garras. O problema é que, dando voltas e mais voltas, eles acabam indo parar na casa em que residiam os homens. Como isso aconteceu? Ilex não conseguia explicar, mas Clora - de alguma forma - o guiara até ali: ele tinha uma missão a cumprir, uma missão que nem ele sabia ainda, mas precisava ser feito.
Com o súbito desaparecimento de Clora e um crime em suas mãos, Ilex toma uma decisão brusca, e é o Seu Vanádio que aparece para dissuadi-lo. Com esse reencontro inesperado, nosso protagonista começa a compreender o que se passa, qual é a sua missão e o que deve fazer.
Ilex passa a ter sonhos estranhos, onde uma menina de 4/5 anos aparece desenhando em paredes, com uma vida trágica e precisando ser resgatada. Mas o rapaz não consegue identificar: Lítia está viva ou morta? Não importa, ela precisa de sua ajuda e, de alguma maneira, ele precisa encontrá-la - precisa saber se ela é real e o porquê dela aparecer em seus sonhos toda noite.
O andarilho parte em uma nova missão, já ciente de suas habilidades, mas ainda recusando-se a utilizá-las. Ele sabe que poderia fazer o bem e ajudar muitas pessoas com o que pode fazer, mas ele partiu da Cidade por um motivo: solidão. Ele não quer estar em meio às pessoas - vivas ou mortas. Ele quer paz, quer alcançar algo inalcançável. E os necessitados não permitirão que ele escape de sua missão.
Após um longo tempo buscando pelo paradeiro da menina, mais uma vez ele é usado por uma pessoa para chegar ao seu destino - literalmente. Flúora e Leninda precisam de sua ajuda. Após anos presas em uma vida de sofrimento, vícios e violências diárias, para uma a jornada acabou, mas para a outra ainda há uma chance de prosseguir. Lítia o guiara até ali através de seus sonhos para resgatá-las.
Mas antes, Ilex precisa entender onde tudo começou, relembrar da sua infância propositalmente esquecida, do trauma que o fez abandonar a Cidade, precisa aceitar que suas habilidades fazem parte de quem ele é e compreender qual é sua missão. Seu entendimento das coisas ainda é muito supérfluo e, para que verdadeiramente consiga ajudar a menina, precisa primeiro se entender.
O futuro é incerto, o que a vida de um andarilho - sem teto, sem raízes, sem trabalho fixo, sem dinheiro… - pode oferecer? A vida que levava até então podia realmente ser chamada de vida? Indo de local em local, sem garantia de um amanhã? Antes do surgimento de Lítia, Flúora e Leninda as coisas eram mais simples, era apenas ele. Mas agora? As coisas precisam mudar e, talvez, ajudar os corpos não reclamados, dominar suas habilidades e fazer o bem não seja tão ruim assim…, talvez ter paz não signifique viver em reclusão - talvez, apenas talvez, o futuro dele não seja tão solitário quanto ele imaginava. Ainda há esperança, e esta é a última a morrer.

A primeira leitura do ano é também o meu primeiro recebido em parceria direta. Bora começar 2026 com novidades!!!
Sociedade dos Corpos não Reclamados é uma história que começa um pouco lenta, mas que - quando as coisas começam a se desenrolar - pega um ritmo excelente e deixa o leitor com um gostinho de “e agora? O que será que vai acontecer?”
Gostei bastante de acompanhar a jornada de Ilex Andaluz, tive um pouco de receio no sentido de quais caminhos a narrativa iria seguir, mas afirmo que Everton Gullar soube orquestrar muito bem os acontecimentos, posicionar seus personagens e desenvolver os eventos de forma fluída, tudo ficou bem conectado - um passo leva o protagonista até o outro e, assim, ele segue sua jornada (e nós o acompanhamos).
Em sua obra, Gullar traz reflexões interessantes sobre o sentido da vida, o luto, a necessidade de solidão (escapismo) e fuga da cidade grande e suas vias corruptas e violentas. Um ponto que deixou a desejar é que senti que as habilidades de Ilex poderiam ser mais desenvolvidas às vistas do leitor, como por exemplo podermos acompanhar um pouco mais sua jornada com os corpos não reclamados antes do surgimento de Lítia - entendo que o personagem passava seus dias pelo interior do campo evitando contato com qualquer pessoa, mas gostaria muito de ver como ele se sairia em suas “tarefas” quando topasse com alguém que necessitasse de ajuda e do uso dessas habilidades pelos meados da narrativa.
Ademais, é uma leitura que vale a pena - rápida, profunda e emocionante. Quer desvendar os mistérios que rondeiam a Sociedade dos Corpos não Reclamados? Então não perca tempo e leia!
Everton Gullar

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