“Que aterrorizante segredo esconde-se nos subterrâneos da Ópera de Paris? Que mistério atormenta um dos mais majestosos palácios dedicados à arte na capital francesa? Uma das histórias de terror e amor mais famosos do século XX, O fantasma da Ópera combina romance e suspense para narrar o triângulo amoroso entre a linda e talentosa cantora lírica Christine Daaé, o frágil e apaixonado visconde Raoul de Chagny e o sinistro e obcecado gênio da música que habita os porões do teatro. Com contornos de relato histórico, a narrativa conduz o leitor pelos labirintos da Ópera e do coração humano, revelando o que há de mais obscuro em ambos.
Adaptado inúmeras vezes para o cinema e o teatro, O fantasma da Ópera virou um fenômeno do showbiz mundial após ser transformado em musical pelas mãos de Andrew Lloyd Webber, em 1986. Até hoje em cartaz, é o espetáculo mais visto e de maior sucesso da Broadway.”

Editora: L&PM
Autor: Gaston Leroux
Ano da 1ª publicação: 1909
Ano desta edição: 2024
Gênero: Romance gótico
Páginas: 330
Você acreditaria se eu dissesse que a história de O Fantasma da Ópera aconteceu de verdade? Bem… não exatamente tudo… e não exatamente da forma que foi narrado… - ou será que foi?
Gaston Leroux, o autor, com experiência na área do jornalismo investigativo, deixa bem claro para nós leitores que ele acredita piamente na existência do fantasma da Ópera e, devido a essa crença, acha que é sua função como um bom redator revelar os pormenores de todo o drama que afligiu o lugar mais badalado de Paris no século XX. O prefácio introduz essa estranha aparição e as motivações que levaram Gaston a escrever tal obra, explicando ao leitor “como se convenceu de que o fantasma da Ópera realmente existiu”.
E, então, ele nos leva a conhecer os principais cantos daquele local tão frequentado pela elite parisiense. Conhecemos algumas das bailarinas e das cantoras através de uma visitinha ao camarim de Sorelli - uma das bailarinas solistas -, como a pequena Jammes, Meg e a mãe desta, madame Giry (personagem importante para entender como o fantasma conseguia realizar seus truques). Lá, encontramos meninas de todas as idades se preparando para os ensaios do próximo musical enquant ofofocavam sobre as aparições do misterioso fantasma, que recebia crédito sobre qualquer acontecimento fora do comum que assustasse aos funcionários e visitantes da Ópera.
Também somos apresentados ao conflito inicial da trama: os antigos administradores, senhores Debienne e Poligny - estão entregando seus cargos e novos diretores - os senhores Armand Moncharmin e Firmin Richard -assumem a função. Além disso, também conhecemos os protagonistas da obra: o visconde de Chagny, Raoul, e a cantora, Christine Daaé. Os dois são amigos de infância e, com os capítulos iniciais, entendemos o passado dos dois: Raoul tem um irmão mais velho e três irmãs, a mãe falecera durante seu parto e o pai falecera quando ele era muito pequeno; sendo assim seu irmão, por ser o primogênito, não só assumiu o título de nobreza de conde, mas também a responsabilidade pelas finanças da família, o futuro das irmãs e a educação do irmão. Já Christine perdeu a mãe muito nova e, tendo apenas o pai, os dois decidiram partir da Escandinávia e, sendo um exímio violinista, vivia de feira em feira e cidade em cidade tocando seu instrumento sendo acompanhado pela bela voz de sua pequena filha.
Em uma dessas andanças, pai e filha conheceram um professor de música, Valerius, e sua esposa, que os ofereceu um abrigo fixo, alimentação e educação para a menina que era tratada como filha do casal. Quando decidiram se mudar para a França, levaram pai e filha junto. Ainda assim, o hábito de passear pelas feiras tocando o violino e cantando músicas típicas dos paí sesnórdicos permaneceu com os dois. Foi em uma dessas feiras, em um vilarejo litorâneo, que a pequena Christine conheceu o pequeno Raoul e uma pura e bela amizade nasceu. Com o passar dos anos, os sentimentos do menino pela pequena cantora mudaram, cresceram; contudo, compreendendo suas posições sociais, que não poderiam alimentar tais aspirações românticas.
Mais velhos, Raoul precisou focar mais em sua educação e em suas obrigações de visconde, já Christine… perdeu o pai e o professor Valerius. Sozinhas, a jovem e a viúva do professor continuavam unidas, porém, agora, a moça ocupava uma vaga de cantora na Ópera. E sua carreira estava prestes graças a uma figura enigmática e sobrenatural: o fantasma. Quando opai da jovem faleceu, ele disse a ela que um Anjo da Música viria lhe visitar e, então, ela saberia que fora escolhida. Pouco tempo depois, na Ópera de Paris, a aspirante a cantora recebe visitas do fantasma acreditando ser o tal Anjo da Música enviado pelo espírito de seu falecido pai. Recebendo aulas decanto, a voz da moça é trabalhada, ela aprende técnicas e treinos que as demais cantoras não recebiam e, assim, suas performances se destacam, trazendo reconhecimento e fama para ela.
É em uma dessas apresentações que os dois jovens se reencontram. A voz de Christine encanta o público e, principalmente, Raoul, que vai atrás dela para tentar reatar a amizade dos dois e, quem sabe, conquistar aa feição dela. Indiferença é o que encontra, a jovem age como se nem ao menos o reconhecesse e o faz por diversas vezes. Algo a impedia de revelar o que realmente sentia: o fantasma.
Antes de adentrarmos mais a fundo no enredo, vale mencionar que já no primeiro capítulo um personagem é assassinado pelo fantasma.
A trama se desenrola com os novos diretores recebendo as instruções sobre como comandar a Ópera de Paris e alguns detalhes bem curiosos, como o camarote nº 5 sendo reservado de forma vitalícia para o tal fantasma, além de um salário de 20 mil francos. Ué, mas fantasma recebe salário? Aparentemente, sim.
Irritados e acreditando serem vítimas de alguma pegadinha de mal gosto, Moncharmin e Richard partem em uma acirrada investigação com o objetivo de desmascarar essa farsa e revelar quem estava se beneficiando das superstições dos funcionário da Ópera. É uma trama paralela à principal que ajuda o leitor a entender melhor como os frequentadores daquele lugar viam, pensavam e reproduziam as histórias que deram fama à aparição.
Christine e Raoul, por outro lado, vivem os altos e baixos do primeiro amor com o bônus de ter o tal fantasma como obstáculo para a concretização de seus sentimentos. Quem mais poderia dizer que enfrentou o sobrenatural para ficar ao lado de seu amor? O problema é que o Fantasma da Ópera também se apaixonara pela cantora e, se aproveitando da ingenuidade dela, utiliza seus temores para afastá-la do visconde. O jovem por sua vez, sem acreditar realmente na presença desse ser, vive de frustração em frustração por não compreender completamente o motivo da rejeição de sua amada, a quem ele tinha plena certeza que retribuía seu amor.
Após um período sem vê-la, Raoul - que visitava a Ópera de Paris todos os dias para tentar encontrá-la - finalmente tem suas perguntas respondidas por ela, que revela toda a história de como conheceu o fantasma, o qual descobrimos se chamar Érik. Aprendemos sobre como ele interferia nas escalações dos atores dos musicais de ópera e como ele sempre favorecia Christine - mesmo ao custo de prejudicar, ameaçar e até mesmo ferir quem se pusesse em seu caminho e não satisfizesse seus caprichos.
Daaé revela que Érik ficará ocupado por alguns meses, pois está trabalhando na sua ópera: Don Juan Triunfante, e não estaria prestando atenção em mais nada. Por isso, ela aceita o pedido de noivado dele, como uma brincadeira, um momento de respaldo por tudo que sofrera e que previa que ainda iria sofrer. Seriam meses em que se permitiria sentir e viver como quisesse, realizando seu amor e revelando o que verdadeiramente sentia por Raoul. O rapaz, sentindo-se realizado, promete livrar a amada das garras daquele ser repugnante e começa a organizar uma fuga com o aval da cantora - com a condição de que fugiriam após ela cantar, pois queria dar um último momento ao fantasma de apreciar seu trabalho.
O plano vai por água abaixo quando Christine é raptada nomeio de seu solo - e não foi Raoul quem a raptou. Todos, boquiabertos com o acontecimento, fogem, acionam a polícia e correm em busca de pistas sobre o que aconteceu com a moça. Enquanto o caos tomava conta da Ópera, os administradores estavam trancados em seu escritório tentando desvendar o mistério por trás do fantasma - e como ele estava conseguindo ludibriá-los, escapando de todas as suas armadilhas.
Raoul e um novo personagem, chamado “Persa”, partem em busca de Christine Daaé pelas passagens secretas e na parte subterrânea da Ópera. Sendo o único que conhecia o passado de Érik e sabia do que ele era capaz, o Persa promete dar tudo de si para ajudar o visconde a salvar sua amada e sair do covil do fantasma sãos e salvos. Eles terão que escapar de todos os mecanismos elaborados pelo fantasma, passar pelo quarto dos suplícios e enfrentar o próprio Érik para, enfim, chegar até a donzela em perigo. Se todos sairão com vida, não posso garantir…
Ah, e eu falei sobre o lustre de cristal que o fantasma derruba em cima da plateia no meio de um ato da Ópera?

Ler O Fantasma da Ópera foi uma aventura. Mais uma dessas histórias que são tão famosas que todos conhecem sem realmente nunca ter conhecido.
Logo que iniciei a leitura, fui atrás das adaptações e da história por trás dessa obra. Parece que realmente teve rumores de assombração na Ópera de Paris - apesar da Ópera que ambienta esse enredo ser fictício. O lago no subsolo apresentado como covil do fantasma também é real, porém de acesso proibido (atualmente apenas bagres e bombeiros treinando natação ficam por lá). O caso do lustre que caiu e o rapto da cantora também são notícias reais…
Ao que parece, Gaston Leroux pegou todos esse boatos do fantasmas e juntou com essas notícias estranhas para permear sua obra de realidade e misticismo. Foi uma combinação que acertou em cheio. O autor fala com tanta convicção dos acontecimentos, como se tivesse compilado documentos, diários e registros históricos, e estivesse apenas estabelecendo uma linearidade entre as informações obtidas de terceiros.
Mal tinha chegado na metade da leitura quando assisti a adaptação de 2004 para cinema de O Fantasma da Ópera - essa versão segue fielmente ao musical criado por Andrew Lloyd Webber e traz Emmy Rossum como Christine, Patrick Wilson como Raoul e Gerard Butler como Érik.
No decorrer dos anos, essa obra ganhou diversas adaptações para cinema e musicais. Entretanto, nenhuma segue fielmente o livro - como já era de se esperar. Eu, por exemplo, gostei muito mais do Raoul do filme de 2004 do que do livro (na obra, ele passa grande parte do enredo final apenas se lamentando e gritando pelo nome de Christine; entendo que o personagem tem apenas 20 anos, mas um pouco de atitude não faz mal a ninguém). Érik, por sua vez, tem um passado muito mais interessante e explorado no livro do que no filme.
Outro ponto curioso para analisar é a relação dos dois personagens masculinos com a protagonista: amor X obsessão / respeito X condescendência.
Enfim, gostaria de dizer que essa é uma obra que merece o sucesso que tem, com um desenvolvimento e personagens interessantes e, no final, nos deixa com uma pergunta rodeando pela mente: o fantasma da Ópera existiu de verdade ou não?
Gaston Leroux

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