Mentes Perigosas - o psicopata mora ao lado

Mentes Perigosas é um livro que discorre sobre pessoas frias, manipuladoras, transgressoras de regras sociais, sem consciência e desprovidas de sentimento de compaixão ou culpa. A obra procura mostrar ainda que essas pessoas geralmente estão infiltradas nos setores sociais, como homens, mulheres, de qualquer raça, credo ou nível social. Trabalham, estudam, fazem carreiras, se casam, têm filhos. mas podem não ser como a maioria da população.”

Informações:

Editora: Objetiva

Autora: Ana Beatriz Barbosa Silva

Ano da 1ª publicação: 2008

Ano desta edição: 2010

Gênero: Psicologia Criminal

Páginas: 237

“A nossa sociedade vem banalizando o mal e contribuindo para a inversão dos valores morais. Isso cria um terreno fértil para que os psicopatas se sintam à vontade no exercício de suas habilidades destrutivas.”

Se um psicopata estivesse ao seu lado, você saberia reconhecê-lo?

Nesta obra didática e impactante, a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva aborda a temática dos psicopatas, como identificá-los e como se proteger deles. A autora não entra a fundo na psicologia dos sujeitos em questão, nem na área neurocientífica do porquê as pessoas com esse desvio de caráter e personalidade são desse jeito, mas de maneira explicativa nos auxilia a compreender os vícios dessas pessoas, suas ações e o perigo de nos envolvermos com elas.

Logo no início da obra, Ana Beatriz nos conta sobre uma aula, durante seu período de formação, em que o professor fez uma pergunta muito curiosa: o que é consciência? Ela relata que o silêncio tomou conta da sala e, desafiada, ela tentou responder: “Professor, quando ouço a palavra consciência dois sentimentos me vêm à cabeça: um de ordem prática, ou seja, se estou acordada ou não; e outro de ordem subjetiva, que me remete ao fato de eu ter consciência de quem eu sou e qual o meu papel no mundo.” A partir dessa aula, a autora revela que seu interesse na área comportamental do cérebro evoluiu e, portanto, decidiu aprofundar seus estudos na psiquiatria.

Então, Ana Beatriz inicia sua narração sobre como é, como age e qual o objetivo desse tipo de pessoa. Um psicopata, de acordo com a escritora, é desprovido de um elemento muito importante para o ser humano: a consciência. Ele usará de suas habilidades comunicativas e de persuasão (que não são poucas), se aproveitará do seu lado emotivo, fará chantagens emocionais e morais, conseguirá informações para depois usar contra você, abusará do seu estado de fragilidade e da sua confiança para alcançar os objetivos sórdidos (sejam eles monetário, emocional, profissional…) e, por fim, se você der sorte, te abandonará à sua própria sorte.

De acordo com Barbosa, felizmente, a grande maioria dos psicopatas não cometerão crimes hediondos como homicídio - infelizmente, essa grande maioria é a que faz parte do nosso dia a dia e ainda podem provocar danos catastróficos. Por outro lado, nos presídios, a grande maioria dos criminosos estão na categoria dos psicopatas que cometem assassinatos, estupros, entre outros crimes pesados. Esse grupo, classificado na minoria dos psicopatas mundiais, são os que causam mais estragos, deixando um banho de sangue por onde passam - muitos tornando-se famosos pelas tragédias que provocam (por exemplo, serial killers).

“(…) existe uma fração minoritária de psicopatas que mostra uma insensibilidade tamanha que suas condutas criminosas podem atingir perversidades inimagináveis.”

Ana Beatriz dá prosseguimento à sua obra explicando que a psicopatia pode já estar presente durante a infância. Infelizmente não é algo que tem cura, porém pode ser tratado e seus efeitos podem ser amenizados se descoberto prematuramente e tratado com a devida atenção.

Por isso, fica o alerta para os pais. Algo muito interessante é que a autora deixa claro as características da psicopatia na infância e explicita a maneira correta de como lidar com essa situação sendo pai/mãe/responsável. No decorrer de todo o livro, além de apresentar seus argumentos e esclarecer as informações apresentadas de maneira bem direta e compreensível, a psiquiatra explicita todas as situações abordadas com exemplos claros e vívidos e, principalmente, reais. Relacionamentos abusivos - do âmbito amoroso ou não -, golpes de estelionatários, manipulações de pessoas e fatos na área profissional, fingimentos e mentiras, e muito mais.

Além das situações-exemplo, ela também menciona os casos de grande repercussão nacional como o de Suzanne Von Ritchthofen, Champinha, Pedrinho Matador, Maníaco do parque, Guilherme de Pádua e Paula Thomaz, e mais launs outros. Fala sobre o caso das crianças que cometeram crimes (como os dois meninos que assassinara um bebê nos trilhos do trêm, na Inglaterra) e como os demais países lidam com a maioridade penal - de maneira diversa da que acontece no Brasil.

Algo que gostei muito é que Ana Beatriz deixa muito claro para o leitor que a sociedade atual, sua deturpação dos valores tradicionais e a maneira como os “direitos humanos” protegem essas pessoas são o que dão “passe livre” para que cos psicopata se sintam cada vez mais confortáveis em cometer seus crimes e testar os limites da maldade humana, afinal, nada lhes acontecerá mesmo (no máximo pegarão alguns anos de cadeia e logo estarão livres para continuar atormentando as pessoas ao seu redor). Pensamento que, cada vez mais, aparece presente na voz dos menores infratores: “não dá nada, não, a gente é de menó”.

O que nós como sociedade e nossos governos temos feito para diminuir o risco que as “pessoas comuns” correm? Será que a maneira como as grandes empresas e a cultura pop têm disseminado a mudança cultural que vem ocorrendo no últimos 10-20 anos tem influenciado as pessoas com essa deturpação e falta de consciência a ser ainda mais violento, maldoso e inescrupuloso? Na minha humilde opinião, sim, afinal, quem tem sido o foco das histórias, vitimizado e redimido atualmente: os heróis ou os vilões? O homem nasce mal ou é corrompido pelo meio? Bem, ao que tudo indica, todos nascemos maus - o meio apenas intensifica ou ameniza essa condição.

Está preparado agora para se proteger contra os psicopatas?

“Eles vivem entre nós, parecem fisicamente conosco, mas são desprovidos deste sentido tão especial: a consciência.”

Nessa obra sem igual, eu, que já admirava Ana Beatriz Barbosa, agora gosto muito mais de seu trabalho.

É incrível como uma obra de quase 20 anos atrás mostra exatamente o que a autora previu que aconteceria na sociedade moderna: o agravamento dos crimes, a falta de justiça e punição dando mais confiança e liberdade para que os psicopatas agissem no inteiro poder de suas habilidades do mal.

Em Mentes perigosas, o psicopata mora ao lado, você compreenderá não como a mente dessas pessoas funciona, mas como reconhecer suas ações e gestos, seu modo de falar e se expressar, seu modo de se infiltrar nas diversas camadas da sociedade e como eles trabalham para conquistarem seus objetivos e alcançarem o que querem.

Sabendo o que esperar deles, saberemos como nos precaver para evitá-los de todo ou, se não for possível evadi-los, não cair no “papo” deles.

Entendendo que essa é uma característica que aparece, muitas vezes, já na infância, é dever dos pais e responsáveis estarem atentos aos filhos e não ignorarem o menor dos indicadores, afinal, apesar de não ter cura, pode ser amenizado e, dessa forma, possivelmente menos pessoas sofrerão no futuro daquela criança.

Assim como é dever das autoridades e do governo punir corretamente essas pessoas de acordo com seus crimes, sem aliviar penas, sem “não-me-toques” e “mimimi”; aqui se fez, aqui se paga, não é mesmo? Devemos deixar claro que todos devem arcar com as consequências de suas escolhas e seus atos (Sem exceção!)

Quem você está deixando solto no mundo?

“Hoje vivemos os tempos do ‘ter’, em que não importa o que uma pessoa saiba ou faça, mas sim que ela tenha dinheiro (de preferência muito) para pagar por sua ignorância e por suas falhas de caráter.”

Ana Beatriz Barbosa Silva

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