Pigmaleão

“O Pigmaleão da mitologia antiga apaixona-se pela estátua que ele próprio esculpiu. A peça Pigmaleão, de Bernard Shaw (1856-1950), conta a história de Eliza Doolitle, uma vendedora de flores ambulante na Londres do início do século XX. Sua linguagem é uma afronta à língua inglesa, seu vocabulário, paupérrimo e de baixo calão, e sua pronúncia, uma desgraça. Um eminente fonético impõe a si mesmo um desafio: reeducá-la e fazê-la passar por uma dama da sociedade. Mas esse será apenas o início dessa comédia deliciosa em que Shaw denuncia as diferenças sociais e de classe. Neste livro, Millôr Fernandes faz muito mais do que uma tradução. Enfrentando a enorme complexidade da obra de Shaw, Millôr adapta e recria, conseguindo a proeza de transmitir na íntegra o sabor e a genialidade do texto original.”

Informações:

Editora: L&PM

Autor: Bernard Shaw

Ano da 1ª publicação: 1912

Ano desta edição: 2023

Gênero: Peça teatral

Páginas: 172

“Lembre-se de que você é um ser humano que possui uma alma e a dádiva divina da fala articulada.”

Nessa peça teatral, Bernard Shaw traz Eliza Doolitle e professor Higgins para nos ensinar lições importantes de relacionamento inter e intrapessoal.

Eliza era uma jovem entre 18-20 anos, que vivia na pobreza. Seu ganha-pão era vender flores pela rua. O que denunciava sua classe social era, principalmente, seu modo de falar, além das suas vestes sujas e seus trejeitos ignorantes. Pigmaleão é uma obra que trabalha muito com a fonética e os dialetos utilizados na Inglaterra, em especial o cockney (considerado chulo) e o RP (reported spech, o modo de falar da elite londrina).

Certo dia, enquanto caía uma chuva torrencial, Eliza conhece o professor Higgins e o coronel Pickering - dois experts em dialetos e fonéticas - em frente ao teatro onde a moça fazia suas vendas. Após um momento de “ruído” na comunicação, Higgins afirma que seu conhecimento é tão vasto que poderia transformar a jovem florista em uma duquesa, apenas ensinando-lhe a falar “corretamente”. Apesar da afirmação, os dois amigos saem para discutir mais profundamente seus trabalhos e áreas de pesquisa, e Eliza é deixada sozinha. Nesse ato, conhecemos um pouco mais da realidade da moça e sobre sua sua rotina.

No dia seguinte, ela vai até a casa do professor pedir para que ele lhe dê aulas. Ela diz que poderia pagar com o pouco que tinha, mas - em um ato de autoafirmação - Higgins recusa o pagamento e, enfim, decide seguir em frente com a sua aposta. Então, ele e Pickering iniciam as aulas de Eliza, não apenas de pronuncia e fala, mas de postura, bons modos e porte também. Apesar de que, mais para frente, veremos que um contribuiu mais nessa formação pessoal do que o outro.

“Se tivéssemos capacidade de compreender o que fazemos, certamente não faríamos nada.”

Quatro meses se passam desde que Eliza Doolitle, sob a tutela do professor Higgins, iniciou seus estudos. Sem família próxima em quem se apoiar, ela fica a mercê da riqueza e da boa vontade de seu benfeitor, situação que cada vez mais a preocupa assim como a suas conselheiras: Sra. Pearce, governanta do professor, e a Sra. Higgins, mãe dele.

Os dois experts decidem colocar seu experimento à prova e, sem avisar à Sra. Higgins, apresentam Eliza na casa da mais velha. Portando-se excepcionalmente bem, a moça conquista o favor de Freddy, filho de uma senhora que caíra da alta sociedade, mas que procura manter as aparências do seu padrão elevado de vida. Apaixonado pela jovem, o rapaz passa a trocar correspondências com ela em segredo.

Após os seis meses estipulados pelo líder do projeto, Eliza é apresentada em um baile da realeza. É a hora de colocar tudo o que trabalharam à prova e receber o resultado da aposta. Será que Eliza conseguirá enganar as pessoas presentes? Ela deve se passar por uma duquesa, e ninguém pode desconfiar de sua real origem.

O resultado dessa noite mágica traz como consequência uma discussão acalorada entre Higgins e Eliza e, com uma ação que demonstra sua recém adquirida independência e preocupação para com o futuro, a moça foge da residência do professor e se recusa a voltar. Um encontro inesperado com Freddy traz uma resolução para o futuro dela e, com o apoio da Sra. Higgins, nossa protagonista cria forças para enfrentar seu algoz.

Em um último embate, seu destino é selado.

“Não tem sentido se escravizar por mim e depois exigir atenções especiais: ninguém dá atenção especial a um escravo.”

Um romance inesperado, sentimentos feridos e uma rejeição. Após tantas humilhações, Eliza continuará se sujeitando ao tratamento porco do professor, que a todo momento a faz relembrar de seu passado e a faz se sentir dependente dele para tudo? Será que Eliza encontrará um rumo diferente para sua vida? A aposta foi ganha ou não?

De fato, o autor nos faz refletir sobre muita coisa: como tratamos as pessoas ao nosso redor, como nos tratamos - principalmente -, que julgar uma pessoa pelo modo de falar ou o modo de vestir ou até de se portar pode provocar equívocos as vezes irremediáveis e que devemos ser justos e valorizar as pessoas ao nosso redor (nós mesmos, em especial).

Uma leitura rápida, envolvente, cômica e provocante, Bernard Shaw consegue atingir o público onde mais dói e revelar aspectos da sociedade que esta busca esconder ou ignorar.

Ah, essa edição traz uma explicação extensa sobre o final da peça e as escolhas que levaram Eliza até aquele momento, ajudando o leitor a compreender melhor o fim da história e o que teria acontecido com os personagens posteriormente.

Pronto para se divertir e passar um pouquinho de raiva também?

“O grande segredo, Eliza, não é ter maneiras boas ou más maneiras, mas ter as mesmas maneiras com todos os seres humanos.”

Bernard Shaw

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