“Há dezesseis anos, a bela Caroline Crale foi condenada a trabalhos forçados pelo assassinato de seu marido, o célebre pintor (e ainda mais célebre mulherengo) Amyas Crale. Passado todo esse tempo, a jovem filha do casal, uma mulher tão bela quanto a mãe, procura Poirot convicta da inocência de Caroline, para que ele reconstitua o crime e finalmente faça justiça, lutando contra o mais implacável inimigo, que naturalmente age contra todas as evidências: o Tempo.”

Editora: Globo Livros
Autora: Agatha Christie
Ano da 1ª publicação: 1942
Ano desta edição: 2024
Gênero: Romance Policial
Páginas: 291
Pronta para se casar, Carla Lemarchant descobre um fato terrível sobre sua família: sua mãe, Caroline Crale, fora acusada de ter assassinado seu pai, um pintor muito famoso chamado Amyas Crale, julgada e condenada a trabalhos forçados, morrera como culpada. Ao final de sua vida deixou uma carta para a filha, que só teve acesso a tal ao atingir a maioridade, declarando-se inocente. A jovem, que crescera longe da família, criada pelos tios, distante de toda a polêmica, agora se encontra dividida entre acreditar na inocência da mãe e aceitar o julgamento que a condenou - afinal, todas as pistas apontavam para a culpa dela.
Insatisfeita com a resolução do caso - ou a falta deste -, ela contrata um detetive particular para recriar toda a cena e desvendar a verdade por trás desse mistério. Carla precisa ter certeza de seu histórico familiar antes de atar o nó com o amado, ainda que ele não duvide da boa índole da moça.
É nesse momento que entra em cena Hercule Poirot, famoso detetive reconhecido pelo seu talento natural para desvendar casos complicados através da psicologia. O profissional aceita o desafio, ainda que hesitante já que o crime acontecera 16 anos antes. O homem parte para a pesquisa de campo: ele vai entrevistar os advogados de defesa (sir Montague Depleach) e acusação (Quentin Fogg), o jovem representante que herdou o escritório de advocacia que tentou defender Caroline Crale (George Matthew) e o advogado da família Crale (Caleb Jonathan), além do superintendente de polícia (Hale).
Após colher o depoimento de cada um envolvido no julgamento e na investigação, conhecendo o caso através dos olhos profissionais envolvidos, Poirot tem uma visão geral da situação que acometeu a família e começa a determinar os possíveis suspeitos, pessoas presentes no dia do assassinato e próximas a Amyas e Caroline que poderiam ter alguma coisa contra o casal. Assim, ele decide partir para o contato direto com tais pessoas.
Durante a investigação inicial, uma antiga rima surgiu na mente do detetive: “um porquinho foi ao mercado, um porquinho ficou em casa, um porquinho comeu carne assada, um porquinho não comeu nada, e um porquinho chorou por todo o caminho.” Cinco suspeitos foram levantados - os irmãos Philip Blake e Meredith Blake (amigos de infância de Amyas Crale), Elsa Greer (amante do pinto), Angela Warren (irmã mais nova de Caroline) e Cecilia Williams (governanta que cuidava da educação domiciliar de Angela). E a cada vez que coletava o depoimento de alguém mais parecia que esta pessoa tinha motivos para cometer o assassinato e jogar a culpa em Caroline, além de tentarem a todo momento convencer Poirot da culpa ou da inocência da pobre mulher.
Meredith Blake era o irmão mais velho. Grande admirador de Caroline Crale, acredita piamente na inocência da mulher. Recluso, ele vivia na propriedade vizinha dos Crale cuidando de ervas medicinais. Seu último entusiasmo havia sido a coniina, um alcaloide neurotóxico letal que é o principal princípio ativo da cicuta-maior (uma planta herbácea altamente tóxica que ele estava cultivando). No dia anterior ao crime todo o grupo havia visitado Meredith, que os levara até o laboratório e apresentara a erva.
Philip Blake, o mais novo, por outro lado se mostrou antagonista com relação à Caroline Crale, um ódio ferrenho e estranho, afirmando categoricamente que ela era a culpada e que a falta de provas apenas apontava para a culpa dela. Em sua conversa com o detetive, Philip confessa que, assim que Amyas e Caroline se casaram, ele se afastou do casal por um tempo. Assim como seu irmão, ele conhecia os dois desde a infância e foi totalmente contra o envolvimento dos dois. Philip era o único que ficou sabendo, antes do crime acontecer, que a erva tóxica do irmão havia desaparecido após a visita do grupo.
Elsa Greer, a amante. Era uma jovem socialite, com uma grande diferença de idade entre ela e Amyas. A moça conhecia a reputação do pintor - ele se envolvia com todas as “musas” que posavam para ele, mesmo sendo casado e com uma filha de 5 anos…, nada disso o impedia de se aventurar por aí. Contudo, ao final, sempre voltava para a esposa e a família que construíram. Elsa não permitiria isso. Estava determinada a ficar com Amyas apenas para ela, inclusive forçou Caroline a aturar a presença dela na própria casa, sem contar os comentários maldosos que ela soltava - chegando a revelar que Amyas afirmara a decisão de se separar de Caroline para casar-se com Elsa.
Angela Warren, a irmã mais nova de Caroline Crale. Na infância dessa moça, uma situação alarmante ocorreu: por algum ciúme ou descontrole emocional, Caroline feriu a própria irmã quando esta era um bebê, desconfigurando parte do rosto da menina. A mais velha nunca se perdoou pelo que fez e, por isso, passou a se dedicar inteiramente às necessidades da mais nova. Quandos seus pais faleceram, Caroline tomou para si a responsabilidade de criar e cuidar da irmã. Devido a isso, Angela e Amyas competiam sempre pela atenção integral da mulher. Sua natureza ainda infantil fazia com que Angela tivesse suas “pequenas vinganças” do cunhado ao pregar peças constantemente. Alguns dias antes do crime ficara decidido que Angela seria enviada para um internato, para receber uma educação apropriada para a idade dela. A menina não gostou nada disso.
Por fim, Cecilia Williams, a governanta, apesar de admirar muito a patroa, também acreditava na culpa dela. E, se Caroline tivesse realmente matado o marido, Ms. Williams não a culparia, afinal, a mulher aguentara demais naquele casamento: as constantes traições, a humilhação que sofria diariamente por conta da amante que fora admitida como uma convidada especial na casa da família e forçava a todos sua presença indesejada e os comentários venenosos que despejava…
A cada depoimento, a cada entrevista, mais o detetive conseguia construir mentalmente a imagem do caráter e da personalidade dos dois protagonistas que não mais estavam presentes - Amyas e Caroline - e a relação entre eles, assim como a relação deles com as pessoas que os rodeavam. E, assim, mais claro ficava toda a situação que rodeou o dia do crime e o que o antecedeu.
Cada um dos envolvidos poderia ter uma motivação para cometer o crime e acusar Caroline: ciúmes, inveja, desprezo, vingança… Mas quem realmente o cometeu? Será que julgaram corretamente e Caroline Crale cansou-se do sofrimento que passava nas mãos do marido? Ou será que alguém o assassinou para livrar-se dele e abrir o caminho, mas a situação saiu de controle? Ou ainda, será que alguém quis se livrar de Caroline?

É claro que depois de Assassinato na casa do pastor eu entrei no esquema de pirâmide que é a rainha do crime, Agatha Christie.
E Os cinco porquinhos não decepciona. Em mais um mistério cheio de reviravoltas, a autora nos deixa ansiando pela resposta: quem matou Amyas Crale e por quê?
A cada capítulo que lia, eu acreditava que estava desvendando o assassino e sua motivação; contudo, sempre aparecia um segundo personagem que demonstrava ter ainda mais motivação para cometer tal ato hediondo. No fim, tinha caído na armadilha de pensar - pelo menos uma vez - que cada um podia ter assassinado o personagem…
Um mistério envolvente, uma narrativa fluída e muito bem construída que nos deixa ansiosos pela resolução; afinal, estamos torcendo pela inocência de Caroline Crale e pelo futuro casamento de Carla Lemarchant.
E você? Está pronto para se aprofundar em mais esse mistério? Fica mais uma recomendação incrível para você se aprofundar no universo da Rainha do Crime! - Depois me conta o que achou ;)
Agatha Christie

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